O professor Mateus Santana, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola (PPGMBA) da UFV, esteve na semana passada em Manaus para o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (CIBRAD), projeto de R$ 18,7 milhões para promover a recuperação de áreas da Amazônia. Mateus é um dos pesquisadores do projeto, uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Shell Brasil.
Coordenado pelo pesquisador José Francisco de Carvalho Gonçalves, do INPA, o CIBRAD vai integrar pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, com a participação de órgãos do governo, da comunidade científica, de empresas e de startups. Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, projeto que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o AmazonGeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da Amazônia Legal.
“Neste primeiro momento, estamos desenvolvendo pesquisas relacionadas a árvores que serão utilizadas no reflorestamento, como a castanheira, o pau rosa e o ingá. São 10 plantas nativas no total, com foco naquelas que podem trazer atividade econômica”, explica Mateus, que atua como pesquisador em atividades de delineamento dos experimentos e sequenciamento dos genomas dos micro-organismos, além da identificação e avaliação do potencial biotecnológico dos microrganismos. “Estamos agora na fase não só de sequenciar algumas dessas plantas como também de prospectar, de isolar microrganismos que estão associados a essas plantas na floresta. A intenção é que, depois, quando a gente for começar a produzi-las na casa de vegetação, a gente já possa inocular esses microrganismos, para levá-las já com os microrganismos, que têm papel importante não só no reflorestamento, mas também em outras questões biotecnológicas.”
A Amazônia tem hoje cerca de 20% de áreas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados. Além de fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, o CIBRAD quer conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono. Paralelamente aos projetos conduzidos pelo INPA, o centro também inclui iniciativas desenvolvidas em parceria com startups, como a Krilltech.
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